Pensar e venerar

«A felicidade suprema do pensador é sondar o sondável e venerar em paz o insondável.» Foi um dos maiores poetas de todos os tempos, Goethe, sobretudo pelo seu “Fausto”. Deixou-nos também várias máximas e reflexões, uma das quais constitui o objeto da nossa meditação.

São claras as duas vias que o grande escritor traça. A primeira é a racional: com o nosso pensamento podemos «sondar o sondável». Trata-se de uma aventura exaltante que não envolve apenas o cérebro, mas também o agir sobre a matéria, o intervir nos vários fenómenos, criar obras de arte e assim por diante.

Iluminador, como sempre, é outra grande personalidade da história da cultura, o filósofo Pascal, que nos seus “Pensamentos” observava: «O homem é visivelmente feito para pensar; é toda a sua dignidade e todo o seu mester. Mas todo o seu dever é pensar como se deve».

É precisamente o «pensar bem, como se deve» que faz reconhecer a segunda via. Diante do mistério, do «insondável», o ser humano deve deter-se e «venerar». Esta adoração, que é fé, não é um simples fechar os olhos, mas deixar-se conduzir pela mão rumo a horizontes que transcendem os nossos pensamentos e os nossos esquemas.

Compreender e crer não são, portanto, duas vias alternativas ou em oposição, mas dois percursos de diferente natureza que desvelam verdade, que nos introduzem em perspetivas diferentes de leitura da realidade, que nos mostram as verdadeiras possibilidades do ser humano: pensar e venerar, como experiências não opostas mas em harmonia entre elas. 

[P. (Card.) Gianfranco Ravasi | In Avvenire]
 
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