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Mensagem para a Quaresma 2018 - Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga

Tens sapatos? Lembra-te daqueles que não têm pés!
Temos vindo a percorrer, desde há vários anos, um caminho de aprofundamento da nossa identidade  cristã.
Esse percurso fez-nos crescer na relação com Cristo e transformou a nossa Arquidiocese num  espaço de esperança cristã. Esta esperança pode ser entendida como dom que acolhemos, mas também como semente lançada nos terrenos onde é mais necessária. Caminhamos ao encontro de Cristo, que nos dará “os sapatos” adequados ao percurso para que possamos reconhecer aos poucos o Seu amor e as necessidades do mundo. Podemos afirmar que existem muitas pessoas estagnadas e sem “pés” para avançar. Alguns circuitos da vida são infelizmente dolorosos e carregados de escolhos que impedem um caminhar sereno.
A Quaresma é um momento especial que convida o cristão a “abrir os olhos”, a ver a sociedade e a incomodar-se com a realidade humana. Peço, por isso, que sejamos capazes de olhar, de modo particular, para o mundo da dor e do sofrimento. Quem se encontra numa situação de fragilidade necessita de uma presença amiga e afectiva. O mesmo acontece com quem atravessa um período de luto ou perdeu a alegria de viver. Os idosos experimentam longos períodos de solidão e necessitam de companhia. Os jovens sentem dificuldade em encontrar figuras de referência e um sentido para a vida. As famílias, que pedem para ser ajudadas em vez de julgadas, deparam-se com dramas e incertezas. Enquanto nós estamos confortáveis com os nossos sapatos, existe uma multidão cujos pés estão impedidos de caminhar no mundo com alegria.
Sair do nosso comodismo para nos encontrarmos com a vida envolta em situações dolorosas é a caminhada proposta para a Quaresma. Esta caminhada deve tornar-se uma aventura onde, na realidade concreta, se assume o compromisso de cuidar dos desfavorecidos. Para isto acontecer, cada um de nós precisa de reconhecer os “sapatos” da sua vida, que são uma imagem dos seus dons, e lutar por suprir as deficiências de quem não tem “pés”. Não é tarefa fácil. Com a oração, a partir da leitura da Sagrada Escritura, e o jejum livre e voluntário, que nos faz sentir a fragilidade humana, tudo se torna mais evidente. Abrimos os olhos e percebemos como a indignidade humana nos é próxima, e escancaramos o coração respondendo, de forma pessoal e comunitária, aos gritos de quem não está a caminhar na felicidade. O mundo é uma pequena aldeia e a nossa aldeia deve ser sensível a toda a espécie de carências. A acção guiada pela solidariedade é a identidade do cristão.
Repito, há situações ofensivas à dignidade humana, assim como exclusões sociais que há muito deveriam estar ultrapassadas. A Quaresma é, neste sentido, um convite para, a partir da renúncia e do jejum, darmos forma e sentido ao secular costume do contributo penitencial. Como habitualmente, as ofertas recolhidas nas diversas comunidades serão orientadas para dois fins. O primeiro é concretizado através do “Fundo Partilhar com Esperança”, que revela o amor cristão às pessoas que não dispõem dos mínimos para uma vida feliz. O segundo traduz-se no apoio à paróquia de Sta. Cecília de Ocua, diocese de Pemba, que aguarda pela nossa generosidade para dispor de estruturas básicas para a promoção e evangelização daquele povo irmão.
A caminhada do nosso dia-a-dia pode adquirir um significado especial neste período de preparação para a Páscoa. Rezo para que os cristãos e as comunidades criem gestos de esperança que devolvam a dignidade à sociedade. Caminhemos! Abramos os olhos! Respondamos com um estilo de vida cristão na certeza de que a Páscoa destrói a morte e, passo a passo, transforma o coração das pessoas.

† Jorge Ortiga,
Arcebispo Primaz



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