Avançar para o conteúdo principal

Eucaristia e Família


Como foi mencionada na primeira parte do Sínodo recente que tratou os "desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização," hoje a família se encontra objetivamente em um momento muito difícil com realidade, histórias e sofrimentos complexos. A crise cultural, social e espiritual é um desafio para a evangelização da família, o núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial.

Por sua parte, a tradição cristã considera a família fundada no sacramento do matrimônio entre homem e mulher, como um bem de valor inestimável, ambiente natural onde cresce a vida, uma escola de humanidade, amor e esperança para a sociedade e para a Igreja. Estes valores podem e devem ser alimentados pela fé e oração em família. As famílias que participam de uma missa regularmente todos os domingos, podem encontrar nesta prática a força para ficar juntos e para lidar com os problemas cotidianos. Nas palavras do recente Sínodo sobre a família, ele pode "encontrar na Eucaristia o alimento que a sustenta" (Relatio Synodi 2014, n. 50). Na discussão a seguir, uma linguagem muito simples, os diferentes momentos da celebração eucarística e a mensagem contida neles para a vida familiar.


1. Reunir

O primeiro momento de celebração é, de alguma forma antes mesmo de iniciar, é o simples fato de reunião. Pessoas de diferentes idades, cultura, status social, etc., de lugares diferentes que se reúnem na igreja para celebrar a Eucaristia como a uma só voz, a da fé, nos chama para fortalecer nossos laços de unidade em Cristo. Assim como a vida familiar é um projeto de comunhão e de amor, que também se expressa no primeiro ato da Missa. Somos chamados para formar a assembleia, que é o mesmo significado da palavra "igreja", um termo que vem do grego Ecclesia. É o primeiro ato da Missa: convocar e reunir uma assembleia. Beato Paulo VI recordou a este respeito o chamado dos sinos para a missa de domingo, especialmente em países pequenos. Aquele som de uma hora, meia hora, quinze, cinco minutos antes de a celebração tinha um efeito psicológico, disse o Papa Paulo VI, preparando física e espiritualmente os fiéis para a missa, era a voz que chamava para ir à igreja, para se reunir.

2. Perdão

Uma vez reunidos, e portanto não mais dispersos aqui e ali nos bancos da igreja, após a saudação inicial do sacerdote que preside a liturgia, somos convidados a um breve rito penitencial e a reconhecermo-nos pecadores, necessitados do perdão e pedir perdão não só para Deus, mas também aos irmãos e irmãs presentes na celebração; Na verdade, dizemos o Confiteor: "Confesso a Deus e a vós meus irmãos que muito pequei ...". O lugar normal, onde você exercita o perdão é a família. A família é viva, é saudável, é simplesmente humana, antes mesmo de ser cristã, quando ela é capaz de regenerar-se constantemente através do perdão mútuo procurado e generosamente oferecido. "Saber perdoar e ser perdoado é uma experiência fundamental na vida familiar" (Relatio Synodi 2014, n. 44).

3. A Palavra

Terceiro momento importante da Missa é a proclamação e escuta das leituras bíblicas. Deus se revelou a nós através de sua palavra, que é conservada na Bíblia, o que podemos dizer que conta a história de atos de amor de Deus, desde a criação (Gênesis) até o fim dos tempos (Apocalipse). É um momento comprometedor em que somos chamados não apenas para ouvir esta palavra, mas também para dar uma resposta com à oração, ao final das leituras bíblicas, mas também com a coerência das nossas vidas. Deus fala a nós, mas este diálogo deve ser um incentivo para o diálogo que deve continuar fora da igreja, especialmente no seio da família. Uma família em que seus membros não falam, não se confrontam, mais cedo ou mais tarde desmorona e é reduzida a pedaços.

4. Oferta

Depois de ouvir a palavra de Deus e os comentários feitos em sua homilia pelo sacerdote (esta deve ser a homilia e nada mais), vem o momento da oferta, o chamado ofertório ou apresentação dos dons. Nós levamos ao altar, idealmente, o pão e o vinho, ou seja, nós entregamos o que Deus nos deu e que foi transformado com o nosso trabalho, fruto do nosso esforço e do nosso empenho ou, como a oração que lê padre, "o fruto da terra e do trabalho do homem." Algo como isso deve acontecer mesmo nas relações familiares, porque a vida familiar é um dom e oferta. Se aceitarmos (1), nós perdoamos (2) e dialogando (3), como já dissemos antes, é dar-nos uns aos outros (4). Talvez seja mais confortável pensar que os problemas familiares são resolvidos simplesmente com dinheiro, com segurança econômica. Porque é mais fácil dar dinheiro do que dar-se para a esposa, marido, crianças, idosos na família. É claro que o dinheiro é importante, mas aprender a se oferecer, dar-se é muito mais importante.

5. Consagração

E chegamos ao momento solene da Oração Eucarística, e depois da consagração, quando o sacerdote repete o gesto de Cristo que repete suas mesmas palavras sobre o pão e o vinho. Se nós realmente oferecermos o nosso amor a Deus e aos outros (4), então, Deus o aceita, e o faz próprio. Isto é o que acontece na Missa. Deus acolhe este pão e vinho que temos trabalhado com o trabalho de nossas mãos, e com o dom do seu Espírito garante que o pão e o vinho não sejam apenas fruto da videira da terra e da nossa trabalho, mas a sua presença (5). Se realmente nos doamos uns aos outros, Deus acolhe este esforço e garante que nosso amor não é apenas o nosso amor, mas a sua presença em nosso meio. Aqui repousa a "santidade" do matrimônio cristão e da família. Para a tradição cristã, o amor dos cônjuges é um sinal do amor de Cristo à sua Igreja.

6. Comunhão

Comunhão eucarística sela o amor dado, oferecido, e faz de nós todos uma realidade única com Cristo. Antes de comungar somos convidados a trocar um sinal de paz, ou beijo. É um gesto eloquente e nos lembra que não podemos estar em paz e comunhão com Deus, se não estivermos em paz e em comunhão com os outros. Comunhão eucarística , portanto, não é apenas um sinal eficaz de comunhão com Cristo, mas também um sinal eficaz de comunhão entre os redimidos por Cristo. Ao final da Oração Eucarística, o sacerdote volta-se para Deus, o Pai, com estas palavras: "todos nós que comungamos no corpo e sangue de Cristo, o Espírito Santo nos reuna em um só corpo." Quando a família participa da comunhão eucarística, a unidade transcende as paredes de sua casa e se torna a unidade com todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo.

7. A Missão

A missa termina com uma chamada para levar para fora da Igreja o que vivemos no momento da celebração. Um das fórmulas de despedida da mais bela diz: "Ide e levai a todos a alegria do Senhor ressuscitado." "Ide e levai" significa que somos chamados a levar conosco em casa, no trabalho, na sociedade o que nós experimentamos na celebração da Missa. É, portanto, testemunhar, anunciar, viver diariamente aqueles momentos na celebração da Eucaristia que podemos resumir brevemente: ser capaz de acolher (1), sempre pronto a perdoar (2), aberto à escuta e ao diálogo (3), pronto para a doação (4) e transformados pela acolhida de Deus (5) em comunhão com Ele e com nossos irmãos e irmãs (6), ser testemunhas alegres do Evangelho no mundo (7). Naturalmente, isto pode ser interpretado à luz e de fé.


Por Matias Augé
Extraído do Site: Liturgia Opus Trinitatis
Tradução: Pe. Paulo Alves

Mensagens populares deste blogue

Conselhos do Papa Francisco para ir à Missa com crianças

Choros ou gritos das crianças podem atrapalhar, mas a comunidade deve incentivar a participação de toda família.
“Chata!” Respondi à minha avó quando me perguntou sobre o que eu havia achado da Missa. Na época, eu tinha uns seis anos. E olha que cresci em uma família católica, frequentando Missas e catequeses! Recordo que ir à Missa, muitas vezes, representava uma soneca durante a  homilia, pipocas doces e coloridas ou sorvete no fim. Confesso que minha participação não era exemplar, porém, creio que essa liberdade na participação foi ajudando a semear a fé em meu coração e em minha mente.

Papa Francisco recebe em audiência 35 mulheres separadas e divorciadas

Na segunda-feira, 26 de junho, o Papa Francisco recebeu em audiência privada no Vaticano, um grupo de 35 mulheres separadas e divorciadas da Arquidiocese espanhola de Toledo.

A mulher é quem dá harmonia ao mundo, não está aqui para lavar louça

O Pontífice indicou que é necessário evitar se referir à mulher falando somente sobre a função que realiza na sociedade ou em uma instituição, sem levar em consideração que a mulher, na humanidade, realiza uma missão que vai além e que nenhum homem pode oferecer: “O homem não traz harmonia: é ela. É ela que traz a harmonia, que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela”. Em sua reflexão sobre a Criação, a partir da leitura do Livro do Gênesis, o Papa Francisco se referiu ao papel da mulher na humanidade.