Avançar para o conteúdo principal

A eloquência da acção

A sociedade moderna está marcada pela palavra. Fala-se para comunicar, exigir, criticar, denunciar, propor, reclamar. Fala-se presencialmente, com calma ou gritando, ou virtualmente, escondendo o rosto ou a identidade. São diversas as ocasiões e as modalidades para usar da palavra oportuna ou inoportunamente.
O Natal, por sua vez, é tempo de contemplar, de “tomar conta da Palavra para que Ela tome conta de nós”. A Palavra com letra maiúscula ou, se preferirmos, o Verbo que se fez homem e veio habitar connosco (cf. Jo 1, 14). O nascimento de Cristo significa, por isso, o apelo a uma palavra diferente da nossa parte. Uma palavra vinculada a Cristo, inspirada nos gestos e nas ações que Ele realizou, uma palavra que seja testemunho para a sociedade.

Neste período natalício, como gostaria de verificar que as palavras dos políticos não fossem mero balbuciar de sons sem correspondência existencial. Como seria bom que a comunicação social não se vendesse a interesses mas optasse coerentemente pela verdade. Como o mundo seria diferente se a transparência permeasse os diálogos das pessoas. O Natal exige que as palavras tenham correspondência com acções. As palavras valem se tiverem suporte nas obras. As obras são a linguagem que todos entendem. Obras de amor e de justiça precisam-se! Deixemos, então, que elas falem e a sociedade será outra.
Que o nosso olfacto seja sensível aos odores vindos dos mais diversos dramas da humanidade. Que as nossas mãos toquem as mãos de quem sofre e espera respostas.  Que a nossa vida se identifique com a vida do próximo e as suas interpelações.
Tocados pela necessidade de agir para o bem dos outros, sejamos o “abraço de Deus” que restitui a dignidade humana e dá resposta às mais variadas necessidades materiais e espirituais que surgem de improviso.

+ Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

Mensagens populares deste blogue

Conselhos do Papa Francisco para ir à Missa com crianças

Choros ou gritos das crianças podem atrapalhar, mas a comunidade deve incentivar a participação de toda família.
“Chata!” Respondi à minha avó quando me perguntou sobre o que eu havia achado da Missa. Na época, eu tinha uns seis anos. E olha que cresci em uma família católica, frequentando Missas e catequeses! Recordo que ir à Missa, muitas vezes, representava uma soneca durante a  homilia, pipocas doces e coloridas ou sorvete no fim. Confesso que minha participação não era exemplar, porém, creio que essa liberdade na participação foi ajudando a semear a fé em meu coração e em minha mente.

Papa Francisco recebe em audiência 35 mulheres separadas e divorciadas

Na segunda-feira, 26 de junho, o Papa Francisco recebeu em audiência privada no Vaticano, um grupo de 35 mulheres separadas e divorciadas da Arquidiocese espanhola de Toledo.

A mulher é quem dá harmonia ao mundo, não está aqui para lavar louça

O Pontífice indicou que é necessário evitar se referir à mulher falando somente sobre a função que realiza na sociedade ou em uma instituição, sem levar em consideração que a mulher, na humanidade, realiza uma missão que vai além e que nenhum homem pode oferecer: “O homem não traz harmonia: é ela. É ela que traz a harmonia, que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela”. Em sua reflexão sobre a Criação, a partir da leitura do Livro do Gênesis, o Papa Francisco se referiu ao papel da mulher na humanidade.