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Quando há pouco amor

Muitas pessoas nos servem de referência, embora a maior parte o seja pela negativa. Podem ajudar-nos uma vez que ao nos afastarmos deles estaremos a aproximarmos do melhor.

Há quem oriente a sua vida pelo dinheiro. Podem até ser protagonistas de atos heróicos, mas têm o desejo material como motor da sua ação. Alguns fixam-se nos gestos de que estes são capazes e chegam a julgar que o fim é nobre, por inspirar tão nobres ações.
Mas quando o valor de algo ou alguém se reduz ao dinheiro, tudo perde o seu valor, até o próprio dinheiro.
Há quem lute pelo poder, com todas as suas forças. Todo o domínio que vai alcançando serve-lhe de degrau para subir mais. E quanto mais poder tem, maior é o perigo de que o use mal, prejudique outros e se destrua a si mesmo.
Mas basta um pouco de poder para que qualquer de nós se revele, no melhor ou no pior…
Há quem busque o prazer. O agradável, mesmo que não seja bom. Aliás, ser agradável é, para eles, ser bom. Saltam de lugares para lugares e de pessoas para pessoas, conquistando-os e consumindo-os até à exaustação. A meio de um já estão também à procura de outro.
Mas depois da sensualidade vem sempre uma solidão maior.
Muitos são os que justificam as suas escolhas erradas com a sensação vertiginosa de que tudo dura pouco, e também com o medo de que com tantas crises falte, afinal, pouco tempo para que percamos tudo.
Quando não há amor, ainda que haja tudo o resto, a vida vai perdendo sentido e ficando cada vez mais monótona.
Mas, cuidado, amar implica aceitar tudo o que o amor traz consigo…
Neste preciso momento do meu dia e da minha vida, estou a fazer o que devo?

Por José Luís Nunes Martins

ECCLESIA

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