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“MULHERES, RECONCILIAI OS HOMENS COM A VIDA”

O Dia Internacional da Mulher foi celebrado pela primeira vez em 19 de Março de 1911. As Nações Unidas, em 1977, proclamaram o dia 8 de Março de cada ano como o Dia Internacional da Mulher. Reconhecer a importância e o contributo da mulher na sociedade bem como recordar as suas conquistas e lutas contra os preconceitos raciais, sexuais, políticos, culturais e económicos são alguns dos objetivos que estão na base da celebração deste dia.
Ao falar sobre a dignidade e a vocação da mulher, o Papa São João Paulo II escrevia que a Igreja “rende graças por todas e cada uma das mulheres: pelas mães, pelas irmãs, pelas esposas; pelas mulheres consagradas a Deus na virgindade; pelas mulheres que se dedicam a tantos e tantos seres humanos, que esperam o amor gratuito de outra pessoa; pelas mulheres que cuidam do ser humano na família, que é o sinal fundamental da sociedade humana; pelas mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, às vezes, carregam uma grande responsabilidade social; pelas mulheres «perfeitas» e pelas mulheres «menos perfeitas» — por todas: tal como saíram do coração de Deus, com toda a beleza e riqueza da sua feminilidade; tal como foram abraçadas pelo seu amor eterno; tal como, juntamente com o homem, são peregrinas sobre a terra, que é, no tempo, a «pátria» dos homens e se transforma, às vezes, num «vale de lágrimas»; tal como assumem, juntamente com o homem, uma comum responsabilidade pela sorte da humanidade, segundo as necessidades quotidianas e segundo os destinos definitivos que a família humana tem no próprio Deus, no seio da inefável Trindade … A Igreja agradece todas as manifestações do «génio» feminino surgidas no curso da história, no meio de todos os povos e Nações; agradece todos os carismas que o Espírito Santo concede às mulheres na história do Povo de Deus, todas as vitórias que deve à fé, à esperança e caridade das mesmas: agradece todos os frutos de santidade feminina (cf. MD31).
Por sua vez, já em 8 de dezembro de 1965, o Papa Paulo VI, na conclusão do Concílio Vaticano II, dirigia a todas as mulheres jovens, esposas, mães, viúvas, mulheres de vida consagrada, mulheres solteiras, a todas as mulheres e de todas as condições sociais, uma vigorosa e confiante Mensagem. Pedia-lhes que, nesta hora “em que a mulher adquire na cidade uma influência, um alcance, um poder jamais conseguidos até aqui”, e em que “a humanidade sofre uma tão profunda transformação”, pedia-lhes que não deixassem de “ajudar a humanidade a não decair”. Presentes no mistério da vida que começa e presentes a consolar no momento da morte, o Papa, tendo na mente o conturbado momento da história e alertando para o facto de a técnica correr “o risco de se tornar desumana”, rogava-lhes veementemente: “Reconciliai os homens com a vida”, “velai, nós vos suplicamos, sobre o futuro da nossa espécie. Tendes que deter a mão do homem que, num momento de loucura, tentasse destruir a civilização humana”. E quase a terminar, dirigindo-se a todas as mulheres de boa vontade, cristãs ou não-crentes, a elas que sabem “tornar a verdade doce, terna, acessível”, afirmava-lhes: “Mulheres que sofreis provações, finalmente, vós que estais de pé junto à cruz, à imagem de Maria, vós que, tantas vezes através da história, tendes dado aos homens a força para lutar até ao fim, de testemunhar até ao martírio, ajudai-os uma vez mais a conservar a audácia dos grandes empreendimentos… a vós compete salvar a paz do mundo”.
Apesar de tantos esforços, as guerras, a fome, as catástrofes e as barbáries, não cessam e a vida humana continua muito mal tratada. Numa sociedade cada vez mais envelhecida e indiferente perante a vida dos outros, o aborto persiste em destruir, sem dó nem piedade, milhares e milhares de pessoas inocentes e indefesas. E como se isso não bastasse, luta-se agora pela prática da eutanásia e do suicídio assistido, tendo como pretexto aliviar o sofrimento do doente. Sabemos todos que, com isso, não se alivia o sofrimento, elimina-se a vida da pessoa que sofre. A vida não é qualquer coisa de uso privado que alguém usa ou deita fora de acordo com o seu estado de espírito ou determinada circunstância. O direito à vida é indisponível e o homicídio não deixa de ser homicídio pelo facto de ser consentido pela vítima. Diante de tantos progressos científicos e técnicos, de tantos saberes e possibilidades, a eutanásia apresenta-se como uma derrota da medicina, é um retrocesso civilizacional, não um avanço como se quer fazer crer. O pressuposto de todos os direitos humanos é a vida que há que agradecer, defender e promover, não destruir. A dignidade e a qualidade de vida do doente deve garantir-se com a plena confiança do doente na sua família e nos profissionais de saúde que o tratam e com os cuidados paliativos, de forma multidisciplinar, onde não falte também a “carinhoterapia”, garantindo ao doente, mesmo que terminal, o alívio do sofrimento físico e psíquico, sentindo-se amado, cuidado e acompanhado. Será angustiante sentir-se inútil ou perceber que é olhado de soslaio, abandonado e com a sensação de que só perturba, só dá trabalho e despesa. Isto, na verdade, poderá dar aso à patologia da tristeza e do desespero do doente que, se não for “medicada” em tempo certo, pode até levar à tentação de desejar pôr fim à vida. Tudo isto, porém, será sintoma de um mal muito mais grave no coração de quem permite ou provoca tal tristeza e desespero: a sua incapacidade de amar! Francisco afirma: “Esta é a estrada. É sempre uma questão de amor, não há outra estrada. O verdadeiro desafio é o de quem ama mais. Quantas pessoas com deficiência e enfermas se reabrem à vida, logo que descobrem que são amadas!”


D. Antonino Dias
Portalegre, 02-03-2018.

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