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Papa Francisco… e agora, o que eu faço?

“Oi pai, mãe… estou com um problema, não sei o que fazer. Por um lado…, por outro…, claro, é que… porque veja bem… e é que, se não for assim…” Quantas vezes já comecei desse jeito uma ligação para os meus pais.
Nesses momentos, eu recebia quase sempre a mesma resposta: “Bem, meu filho… você é quem sabe… reflita sobre isso. O que você fizer estará bem feito. Nós estamos ao seu lado”.
Eu tremia na base. Ficava muito bravo e normalmente terminava com uma sensação estranha: “então foi para isso que eu liguei?”, pensava… “Se eu já sei, então não precisaria ligar para eles”.
Com o passar do tempo, a pessoa começa a perceber que recebia a resposta correta. Já conversei sobre isso com meus pais várias vezes.
Minha ligação era para que outros decidissem por mim. Eu queria que os outros assumissem a responsabilidade – neste caso, meus pais. Assim, eu teria a possibilidade de colocar a culpa neles caso algo desse errado ou falhasse.

Eu pedia uma resposta imediata e eles me ofereciam algo mais importante: acompanhamento, compreensão, carinho, proximidade…
Às vezes, tenho a impressão de que nós, católicos, somos um pouco adolescentes, e vemos a Igreja com o olhar de quem tem um dilema e quer que outro tome as decisões por ele. Temos uma dúvida e olhamos os documentos do magistério para encontrar diretamente a resposta; não sabemos como agir e procuramos declarações do Papa para que ele tome a decisão por nós…
Buscamos um manual de instruções, um roteiro; buscamos que a norma e a lei resolvam nosso dilema moral, e esquecemos da necessidade de discernimento, de meditação, de oração, da reflexão – a partir do que os outros disseram ou escreveram.
É verdade que o magistério da Igreja, as opiniões dos bispos, os conselhos dos padres podem nos ajudar em nossa vida de fé, em nosso caminhar pela vida. Mas, no final, as decisões são nossas.
Você se imagina chegando ao juízo final e justificando suas ações dizendo que você “agiu assim porque tal bispo disse isso, porque o Papa opinava aquilo…”? Imagina tentando se defender no juízo final, definitivo, usando como argumento o que um padre disse?
Na vida, cada um tem seus próprios problemas e seus próprios dilemas. Não existe um manual para viver, não existe um resumo para cada uma das nossas ações. Deus não nos deu a liberdade para que outros dissessem o que exatamente devemos fazer em casa momento.
Viver é isso: discerni em todo momento, escolher caminhos, saber por onde andar, seguir adiante ou retroceder, se estivermos no caminho equivocado… Às vezes acertaremos, outras vezes, não.
Diante dos verdadeiros dilemas e questionamentos morais, diante dos verdadeiros problemas da vida, todas as ferramentas que a Igreja coloca ao nosso alcance são boas (experiência, catecismo, compêndios, doutrina, documentos, magistério).
Os exemplos dos nossos amigos, a experiência compartilhada de muitos irmãos na fé, o caminhar juntos, o conselho, compartilhar a Eucaristia e outros sacramentos ajuda muito… mas, no final, as decisões são pessoais e baseadas na oração e no discernimento.

Nesse momento, a melhor coisa que podemos fazer é pensar no que nos diria um pai ou uma mãe. Eu penso na frase que eles sempre me disseram. É assim que imagino que o Papa Francisco me responderia (o Papa, Deus, a Igreja) se eu ligasse para ele todos os dias para resolver meus dilemas éticos e morais, meus problemas cotidianos: “Bem, meu filho, você é quem sabe… reflita sobre isso. Nós estamos do seu lado”.

Por Álvaro Real
20 de Maio de 2016

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