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“Mais importante que os presentes é a presença”


Em entrevista ao programa "Ensaio Geral" da Renascença, o padre José Tolentino Mendonça fala de Natal e consumo, de crise e esperança, e do catolicismo no Portugal de hoje.

Mesmo em tempo de crise o apelo ao consumo de Natal não abranda. Numa altura em que muitas famílias fazem as compras de Natal, o padre José Tolentino Mendonça lembra que as prendas não devem substituir a presença humana. 
Na entrevista ao programa “Ensaio Geral”, o poeta, escritor e vice-reitor da Universidade Católica diz que não é contra o consumo em época natalícia, mas é preciso não esquecer a razão principal.
“É preciso perceber que mais importante que os presentes é a presença, que mais importante do que aquilo que se compra e se vende é o dom. E como encontrar o equilíbrio? Porque, no fundo, a nossa vida trata-se de procurar uma sabedoria, porque também nós precisamos de coisas, estamos numa livraria e precisamos de livros e bons livros,  mas, ao mesmo tempo, as coisas não podem é substituir, não podem é estar em vez do encontro humano, do encontro fundamental, da palavra, da presença. Isso é que empobrece a vida.” 
"Sociedade precisa de mulheres e homens cheios de esperança" O padre José Tolentino Mendonça considera que os portugueses não podem deixar apagar a chama da esperança, perante o estado de crise, austeridade e o desemprego em que se encontra o país.“Hoje, a nossa sociedade precisa de mulheres e homens cheios de esperança, sabedoria, competência, que sintam que esta hora, precisamente em parece que tudo se esvazia e tudo soçobra, é a hora para ter mais alma, para nos agarrarmos uns aos outros e dar-mos sentido e força àquilo que vivemos”, afirma o autor do livro “Nenhum caminho será longo”, uma obra sobre a teologia da amizade.

“Os desafios são de tal ordem que ou, de facto, surgem testemunhas capazes, nas diversas áreas, de salvar Portugal nesta hora ou, então, nós continuamos no meio daquilo que nem sabemos explicar. Mas uma coisa não nos pode faltar: a força da amizade, a força da esperança”, sublinha.
O padre Tolentino Mendonça considera que há um grande desejo de espiritualidade em Portugal. “Se olhar hoje para o Portugal contemporâneo, eu vejo um grande desejo de espiritualidade, uma grande necessidade de sentido. Eu penso que, hoje, a grande crise, em termos do caminho espiritual, não é uma crise do crer, é uma crise do pertencer.”

O responsável da Pastoral da Cultura nota que quando encontra pessoas com “entraves” em relação à Igreja, ao Cristianismo ou ao Catolicismo, esses “obstáculos” esbatem-se com o diálogo. 
“Quando nos sentamos a conversar, percebemos que aquilo que pareciam entraves irresolúveis acabam por ser apenas aspectos pequenos, secundários”, sublinha o Padre José Tolentino Mendonça.
7 de Dezembro de 2012, Ensaio Geral - Renascença

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