Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Eutanásia, morte digna?

Como é possível que, num mundo cheio de mortes por ideologias fanáticas que pretendem um mundo limpo de infiéis, sem dignidade nem lugar, estejamos nós a discutir como matar para eliminar o sofrimento
Gostava de perceber o que se entende por dignidade. Para os defensores da eutanásia, esse tem sido um argumento. Mas dá vontade de perguntar: uma pessoa sofrida, em grande sofrimento, por uma doença ou situação “sem cura” perde a dignidade? A mãe a fazer o luto de um filho, por exemplo, ou um deficiente profundo, um doente “terminal” ou o Papa João Paulo II tremendo e babando-se nos seus últimos tempos, tornaram-se indignos? Não seria melhor “ajudá-los a morrer” ou, talvez, “matá-los piedosamente”? A resposta que me dão é que “faz muita impressão”, que “não há direito de deixar ali a sofrer”, que “a sua vida já só é um peso para si mesmo e para os outros” que “a sua vida acabou”, “que sentido tem?”; e por isso mais vale acabar mesmo… e nós ajudamos; claro… se for esse o seu desejo pedido …

Eutanásia: Debate em curso é sobretudo «uma batalha civilizacional»

Mandatário da petição «Toda a vida tem dignidade» diz que é preciso oferecer mais do que a morte.O jurista José Maria Seabra Duque, um dos mandatários da petição ‘Toda a vida tem dignidade’, diz que o debate à volta da eutanásia é decisivo sobretudo ao nível do tipo de sociedade que hoje “queremos construir”.“O que está em discussão é saber que resposta tem a sociedade a oferecer aos doentes, aos idosos, aos que sofrem. Oferecemos cuidados médicos, cuidados sociais, oferecemos o nosso amor e a nossa compaixão ou a morte?”, questiona aquele responsável, num texto enviado hoje à Agência ECCLESIA.

O suicídio não é um direito

O suicídio só pode ser um acto individual, não pode ser uma prática colectiva. Não pode ser um acto médico. A medicina serve para salvar vidas, não para exterminá-las. Chamemos-lhe Joana. Tem uma doença terminal, vive sozinha, vive com dor, já pensou em cometer suicídio mas recuou na hora final. Agora pede eutanásia ao hospital. Não a censuro. Como escrevi no livro “Alentejo Prometido”, não julgo os meus antepassados que cometeram suicídio. Cada suicida é um caso literário que merece amor, mesmo que seja um amor retroactivo e impotente perante o acto consumado. Há contudo uma diferença entre um suicida clássico e pessoas como a Joana. O suicida mata-se, não transfere a decisão fatal para outras pessoas. O nó à volta do pescoço e o passo no vazio são os actos finais de uma liberdade radical. A Joana, por sua vez, quer transferir para os médicos o ónus da decisão.

EUTANÁSIA - E SE AJUDÁSSEMOS OS OUTROS A VIVER?

Nunca fui autónoma, mas isso não me tornou menos digna em nenhum dos dias, desde que nasci. É por isso que não posso ficar em silêncio, numa altura em que nos preocupamos em como ajudar os outros a morrer
"Enquanto encararmos as nossas incapacidades como tragédias, terão pena de nós. Enquanto sentirmos vergonha de quem somos, as nossas vidas serão vistas como inúteis. Enquanto ficarmos em silêncio, serão outras pessoas a dizer-nos o que fazer” (Adolf Ratzka).
Sim, eu tenho 95% de incapacidade motora, avaliada por uma Junta Médica. Mas a minha vida nunca foi uma tragédia, apesar de todos os “tsunamis” que tive de enfrentar. A minha vida não é inútil porque sei que através dela posso ser relevante para quem acha que já perdeu a esperança.

EUTANÁSIA - Carta de Hilarion a Alis, endossada hoje à Assembleia da República

Agora que não há dor que não possa ser dominada com cuidados paliativos adequados, fica a dúvida se o que se pretende não será o “progresso” para uma sociedade sem piedade para com os mais fracos.
Hialarion era camponês, casado e, tudo indica, bom pai de família. Provavelmente era natural da região de Oxirrinco, uma cidade do Médio Egito. Como falava grego é possível que fosse descendente de colonos helenos, mas não é certo, porque após três séculos de governo Ptolemaico o grego era língua franca no Egito. Podemos supor que não tinha uma vida fácil porque a certa altura teve de ir trabalhar, por uns tempos, para a longínqua Alexandria. De lá escreveu, ou pediu a um escrivão que escrevesse, a seguinte carta para a sua mulher Alis:

Inscrição na XII Jornada da Família - "Não há famílias perfeitas"

XII Jornada da Família É já no próximo sábado,  dia 4, das 14h30 às 18h45! Inscreva-se aqui: https://goo.gl/forms/co71Jn8ddrFpCNUv2 #naohafamiliasperfeitas

E porque não há famílias perfeitas?!

Não há famílias perfeitas. É uma frase na negativa, mas não é uma afirmação negativista. A primeira ideia que deve afirmar-se como essencialmente positiva é a existência de FAMÍLIA. Esta é, e deve ser, a primeira aspiração do ser humano, do ser homem e ser mulher, o “ser família”. Depois, constatamos que não há, individualmente, homens ou mulheres perfeitos. Costuma dizer-se usualmente: ninguém é perfeito. Logo, quando se juntam, pelo amor, duas imperfeições, não quer dizer que o resultado vai ser a obtenção da perfeição, mas um todo, também ele, imperfeito, à busca do aperfeiçoamento.