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Mensagens

Mas como é uma casa com estilo católico?

A maioria das pessoas tende a concordar com isto: a maneira de se decorar uma casa pode revelar muito sobre as pessoas que vivem nela. Existem casas alegres e casas carrancudas; casas modernas, casas neoclássicas, casas mediterrâneas; casas joviais e casas envelhecidas, quase agonizantes; casas limpas e casas sujas… E existem casas budistas, judaicas, muçulmanas, ateias, sincretistas… Ou católicas. Mas como é uma casa católica? Evidentemente, nada pode e deve ser mais católico dentro da sua casa do que você mesmo e a sua família. De pouco adianta “enfeitar” a sua sala e os quartos com imagens e símbolos da Igreja se a sua vida não reflete na prática a fé que você diz abraçar. Revista-se você de Cristo – e o mais virá em consequência. Feita esta premissa fundamental, não deixa de ser importante que também o ambiente ao seu redor seja coerente com a visão de mundo católica. Uma casa católica é aconchegante e humanamente calorosa. De novo, o principal fator que lhe atribui essas característica…

“O tempo não nos pertence”

Arcebispo Primaz escreveu Mensagem para a Solenidade de Todos os Santos e pediu que o dia seja de oração, reflexão e serena alegria. O prelado começou por explicar que, para além do tempo, também a eternidade não pertence à humanidade. Mesmo que sejam dois termos que à partida parecem excluir-se, estão, no entanto “profundamente ligados na fé cristã”, já que a incarnação de Cristo e a Sua presença convidam a humanidade a transgredir os limites impostos pela temporalidade que conhecemos como humana. “A cultura industrial e tecnológica criou, na nossa sociedade, uma nova percepção do tempo. O tempo é um bem precioso, mensurável e controlável. «Lembra-te que o tempo é dinheiro», disse Benjamin Franklin a um jovem empresário do século XVIII. Cada minuto, cada segundo, conta e deve ser rentabilizado. Penso, todavia, que esta concepção do tempo destrói por completo a nobreza do espírito humano”, explicou D. Jorge Ortiga, salientando que a referida nobreza assenta no ser em vez do ter.

Dia de Todos os Santos e o Halloween

Doçuras e travessas, bruxas e santos, celtas e americanos. Este fim de semana celebra-se a vida... e a morte. O que têm o Halloween e Todos os Santos em comum? Uma linha ténue entre a Terra e o Além. Todos os anos, na manhã de 1 de novembro, Maria do Céu sai de casa para entrar no cemitério de Taveiro, em Coimbra. Ao lado do portão de metal, que tem a cruz de Cristo num lado e uma caveira do outro, há sempre uma florista com plantas da época. Maria do Céu é cliente fiel da florista e compra orquídeas, gipsófilas, fetos reais e crisântemos. Um grande ramo de flores, suficiente para homenagear todos os membros da família que já morreram. Enquanto cumpre o ritual – limpar as campas de mármore, acender as velas vermelhas, colocar as plantas na jarra e rezar -, um grupo de crianças percorre as ruas da aldeia do Arrabal, em Leiria. São amigos de vizinhança, alguns primos ou irmãos, e vão com sacos de pão feitos na escola bater à porta dos vizinhos. “Oh tia, dá bolinho?”, costumam gritar. E …

O dom das lágrimas...

Entre um humor, ainda que reles, e qualquer fanatismo refinado, venha daí o humor

Virginia Woolf escreveu que “a felicidade é ter um pequeno fio onde as coisas se prendem por si”. Por vezes, o riso tem na vida a função desse pequeno fio que consegue o milagre de colar os fragmentos distantes e desavindos da própria experiência. Parece mesmo que as coisas, mesmo as mais difíceis, se prendem por si, convergem suavemente para uma repentina espécie de encaixe, sem o esforço que sabemos necessário. O riso é um instantâneo da graça, flagrante como uma iluminação. É uma resolução inesperada que reorganiza o mundo. Aquele meu amigo estava a principiar uma análise. Como todos os que começam, não sabia bem o que estava a fazer ali, deitado naquele divã. O psicanalista tentava movê-lo para algum sítio. Sugeriu-lhe que, se sentia dificuldade em falar, pegasse num elemento do seu campo visual. Foi então que ele reparou na estrelícia que estava na jarra. E concentrou nela o seu desgosto profundo. Detestava estrelícias, confessou.

A herança de meu pai

Precisamos de pensar na natureza dos tesouros que podemos efetivamente dar ou receber, e como eles estão afinal mais ao nosso alcance do que porventura julgamos... Quando se fala de heranças, deveria ser claro que as coisas materiais são o aspeto menos importante de uma transmissão que se for apenas dos direitos de propriedade disto ou daquilo verdadeiramente não se consuma. As heranças verdadeiras, aquelas que nos confirmam numa determinada filiação ou linhagem, têm por força que ser mais amplas, mais ambiciosas e, ao mesmo tempo, mais irredutivelmente pessoais do que a pura materialidade. Lembro-me de um verso de Ruy Cinatti: “Quem não me deu Amor, não me deu nada”. E ele escrevia Amor assim, com maiúscula, como que a sugerir que a única dádiva que conta é aquela que nos inicia, através de mil entradas possíveis, no conhecimento do amor como o nome maior entre todos os outros, como a experiência que nos ancora no absoluto.

A arte de corrigir

Vivemos hoje em plena era tecnológica, o triunfo da correção automática. Telemóveis, iPhones, iPads… Os teclados colocados à nossa disposição são tão ágeis que nem precisamos de olhar para eles. Podemos digitar uma mensagem a uma velocidade recorde, sem especiais preocupações, pois o automatismo do dispositivo vai alterando e (supostamente) corrigindo os nossos erros de escrita. A publicidade, cada vez mais agressiva, explica que o corretor automático tem a enorme vantagem de nos fazer poupar tempo. Mas tempo para quê? Nas relações interpessoais existe também a tentação da correção automática. Quando, por exemplo, nos agarramos como a um totem à letra da lei, ao ditado de uma tradição, aos escritos de um ponto de vista sem olhar a mais, como resolução para todos os problemas que surjam. Ou quando desatamos a corrigir os outros por tudo e por nada. Nem precisamos de olhar para as pessoas. Basta-nos citar maquinalmente o número da regra que estão a infringir naquele momento, ou a nossa …