Precisamos de pensar na natureza dos tesouros que podemos efetivamente dar ou receber, e
como eles estão afinal mais ao nosso alcance do que porventura julgamos... Quando se fala
de heranças, deveria ser claro que as coisas materiais são o aspeto menos
importante de uma transmissão que se for apenas dos direitos de propriedade
disto ou daquilo verdadeiramente não se consuma. As heranças verdadeiras,
aquelas que nos confirmam numa determinada filiação ou linhagem, têm por força
que ser mais amplas, mais ambiciosas e, ao mesmo tempo, mais irredutivelmente
pessoais do que a pura materialidade. Lembro-me de um verso de Ruy Cinatti:
“Quem não me deu Amor, não me deu nada”. E ele escrevia Amor assim, com
maiúscula, como que a sugerir que a única dádiva que conta é aquela que nos
inicia, através de mil entradas possíveis, no conhecimento do amor como o nome
maior entre todos os outros, como a experiência que nos ancora no absoluto.
"Quem conquista o CORAÇÃO conquista a PESSOA..." Arnaldo Janssen