Será que algum dia nos aproximaremos da
dádiva genuína e desinteressada, da pura dádiva? E como é que isso se faz?
No frenesim de consumo que atropela dezembro, nesse labirinto de excesso, euforia e solidão em que a vida, como uma imposição, se torna, cada um de nós aprende, mesmo sem dizê-lo, alguma coisa sobre a dádiva. Ora, talvez o que nos custe mais neste insano tráfico pré-natalício seja, precisamente, a constatação dolorosa e inconfessada de que não sabemos ou não conseguimos dar. Ainda que as mãos se atulhem de embrulhos, sabemo-las no fundo vazias, atadas às suas posições invisíveis, incapazes de dar não o inútil, mas o que seria preciso, indisponíveis para a tarefa da reparação da vida, equivocadas em relação à verdadeira carência ou ao diagnóstico que fazem da escassez e da lacuna.
No frenesim de consumo que atropela dezembro, nesse labirinto de excesso, euforia e solidão em que a vida, como uma imposição, se torna, cada um de nós aprende, mesmo sem dizê-lo, alguma coisa sobre a dádiva. Ora, talvez o que nos custe mais neste insano tráfico pré-natalício seja, precisamente, a constatação dolorosa e inconfessada de que não sabemos ou não conseguimos dar. Ainda que as mãos se atulhem de embrulhos, sabemo-las no fundo vazias, atadas às suas posições invisíveis, incapazes de dar não o inútil, mas o que seria preciso, indisponíveis para a tarefa da reparação da vida, equivocadas em relação à verdadeira carência ou ao diagnóstico que fazem da escassez e da lacuna.