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DESEMBRULHAR O NATAL

Será que algum dia nos aproximaremos da dádiva genuína e desinteressada, da pura dádiva? E como é que isso se faz?
No frenesim de consumo que atropela dezembro, nesse labirinto de excesso, euforia e solidão em que a vida, como uma imposição, se torna, cada um de nós aprende, mesmo sem dizê-lo, alguma coisa sobre a dádiva. Ora, talvez o que nos custe mais neste insano tráfico pré-natalício seja, precisamente, a constatação dolorosa e inconfessada de que não sabemos ou não conseguimos dar. Ainda que as mãos se atulhem de embrulhos, sabemo-las no fundo vazias, atadas às suas posições invisíveis, incapazes de dar não o inútil, mas o que seria preciso, indisponíveis para a tarefa da reparação da vida, equivocadas em relação à verdadeira carência ou ao diagnóstico que fazem da escassez e da lacuna.

Reconhecer a vida do não nascido em registro civil

A Áustria estabelece um precedente para reconhecer a vida do não nascido. Neste caso, o governo dirigido pelos social-democratas obteve apoio suficiente para avançar com uma reforma que permite aos pais inscrever no Registo Civil as crianças falecidas antes do nascimento com peso inferior a 500 gramas. Esta medida, que saiu graças ao apoio dos cristãos democratas e dos socialistas, outorga aos pais uma certidão de nascimento de seu filho falecido, assim como a certidão de óbito na qual consta o nome do bebê.

O TEMPO COMO DOM

A verdadeira viagem é aquela que dura tanto que já não se sabe porque se veio ou porque se está
Nós somos duração (ou, pelo menos, “duro desejo de durar”, como Paul Éluard defendia). Quer dizer, trazemos em nós a memória e a presença de tempos muito diversos e isso, por muito que nos custe, é um dom. Conhecer-se é tomar consciência desses tempos que coexistem em nós, mesmo no seu contraste. Gostaríamos que a vida fosse mais linear e harmoniosa, não tivesse a marca daquele solavanco ou daquela ferida, não tivesse atravessado aquele estremecimento. É verdade, para bem e para mal, aquilo que Camus escreveu: “O homem é o único animal que se recusa a ser o que é.” Mas em nós coexistirão sempre o breu e a lâmpada, o tesouro e o barro, e a atitude não é mudar aquilo que não podemos mudar, mas perceber que a ambivalência, em certo grau, também é uma respiração que nos pertence.

Acolhidos, compreendidos e acompanhados pela Igreja

Ana Mansoa e Diogo Silva têm 3 filhos: Maria e Francisco, já no Céu, e Teresinha, de 1 ano. A falta de auxílio, dentro e fora da Igreja, quando perderam os dois primeiros filhos levou este jovem casal a criar, há um ano, o projeto A Esperança de Ana, que quer ajudar os casais a viver na fé a dor de perder um filho durante a gravidez ou em caso de infertilidade.
“Ser um espaço onde as pessoas se sintam acolhidas na sua dor, se sintam acolhidas na sua incompreensão” é a primeira missão de A Esperança de Ana. “Os casais dizem-nos muitas vezes que sentem ter de viver um luto envergonhado. Frases como ‘Deixa lá’ ou ‘Não correu bem desta vez, corre melhor na próxima’ provocam, em muitos casais, uma dor profunda, porque sentem que as pessoas, mesmo em contexto de Igreja, não compreendem. Um filho que nasça a seguir não vem substituir o que se perdeu”, alerta Ana Mansoa, ao Jornal VOZ DA VERDADE. É também desejo deste projeto que as pessoas consigam fazer “um caminho de compreensão desta exper…

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A EUTANÁSIA

«Eutanásia: o que está em jogo? Contributos para um diálogo sereno e humanizado» Conferência Episcopal Portuguesa 14 de Março de 2016
1. O que são a eutanásia e o suicídio assistido? Etimologicamente, o termo “eutanásia” deriva do grego: eu, “boa”, e thanatos, “morte”. Por eutanásia, deve entender-se «uma ação ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento»[1]. A ela se pode equiparar o suicídio assistido, quando não se causa diretamente a morte de outrem, mas se presta auxílio ao suicídio de outrem, com o objetivo de eliminar o sofrimento. Também se usa a expressão “suicídio medicamente assistido”, porque, de um modo geral, as legislações em vigor em vários Estados exigem que seja um médico a prestar esse auxílio, do mesmo modo que as leis que permitem a eutanásia exigem que seja um médico a praticá-la.
2. Será a eutanásia verdadeiramente uma “morte assistida”? É usada, com frequência, a expressão “morte assistida” como conceito que…

«Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador»

Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa
1. As questões ligadas à legalização da eutanásia e do suicídio assistido estão em discussão na Assembleia da República e na sociedade. Como contributo para esse debate, que desejamos seja em diálogo sereno e humanizador, surge esta Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o que verdadeiramente está em causa[1]
2. Por eutanásia, deve entender-se «uma ação ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento»[2]. A ela se pode equiparar o suicídio assistido, isto é, o ato pelo qual não se causa diretamente a morte de outrem, mas se presta auxílio para que essa pessoa ponha termo à sua própria vida.

O sentido da vida... "A realidade dói muito. Por isso, foge-se dela"

O sacerdote jesuíta Vasco Pinto de Magalhães acompanhou jovens universitários em Lisboa ao longo de vários anos. Também já foi mestre de noviços em Coimbra e responsável pelo rigoroso discernimento vocacional que a Companhia de Jesus faz com os jovens que desejam ser padres. Está agora no Porto a acompanhar jovens adultos e casais com filhos pequenos. Se, ao longo da história, os jesuítas foram sempre enviados para realidades onde a proposta cristã era desconhecida ou até mesmo adversa, o padre Vasco Pinto de Magalhães garante que hoje “a linha da frente” da missão joga-se também nas novas fronteiras da modernidade e na voragem das grandes cidades, onde falar de Deus e de amor não é nada fácil. Pretextos para uma conversa com a Renascença sobre o sentido da vida nos tempos actuais. Cruza-se com muita gente nova, com adultos jovens, conhece a realidade das grandes cidades. É difícil falar de Deus hoje? Quais são os principais obstáculos? Há um défice, sobretudo nos mais novos, de pensamen…

Luto na família

Aqui apresentamos a última gravação da rubrica "Pensar a Família", do programa "Luz e Vida" da Rádio Cidade Hoje, apresentada no dia 15 de Novembro do presente ano. Reflexão do P.e Jorge Vilaça, coordenador Arquidiocesanod da Pastoral da Saúde, ajudando-nos a ver com os olhos da razão e da esperança o Luto na Família.

"Famílias em situação irregular" Catequese do Papa Francisco

O Papa prosseguiu suas catequeses sobre a família, desta vez falando sobre as feridas que permeiam o núcleo familiar. Francisco afirmou não gostar do termo "famílias em situação irregular".

A morte traz dor e pode causar revolta, mas nunca tem a última palavra

O que se responde a uma criança que perdeu os pais e pergunta quando voltam? Como compreender a revolta contra Deus por parte dos pais que ficaram sem o filho? A relação entre a família e o luto de uma pessoa querida, entre a dor de quem sofre o desaparecimento de alguém próximo e a fé que restitui a esperança, foram os temas que o papa Francisco refletiu hoje, no Vaticano, durante a audiência semanal, durante a qual se referiu também à sua nova encíclica, lançada amanhã, e ao Dia Mundial do Refugiado. «É uma cena muito comovente, que nos mostra a compaixão de Jesus por quem sofre – neste caso uma viúva que perdeu o único filho – e nos mostra também, o poder de Jesus sobre a morte», assinalou o papa, referindo-se ao trecho bíblico (Lucas 7, 11-15) proclamado antes da catequese. Excertos da intervenção: «A morte é uma experiência que diz respeito a todas as famílias, sem exceção alguma. Faz parte da vida; todavia, quando toca os afetos familiares, a morte nunca é capaz de aparecer como nat…

A família é o "hospital" mais próximo

Na Audiência Geral desta quarta-feira (10 de junho), o Papa Francisco continuou o ciclo de catequeses sobre a família, destacando um aspecto: a doença. O Santo Padre chegou na Praça de São Pedro a bordo do papamóvel aberto e passou entre os peregrinos saudando a todos, de modo especial, os doentes e as crianças. Enquanto isso, os peregrinos provenientes de diversos países expressavam grande entusiasmo balançando suas bandeiras. O dia relativamente quente da primavera europeia, permitiu que a praça ficasse enfeitada com centenas de guarda-chuvas coloridos que foram usados para proteger do sol. O Papa Francisco, no resumo da catequese em língua portuguesa, destacou que a doença é uma realidade comum na vida das nossas famílias. “Esta só excepcionalmente devido à fragilidade humana, põe em crise a família – alertou Francisco -. “Em geral, a situação de doença robustece os laços familiares, sendo vivida com maior empatia e apreensão”.

A ALAVANCA ECLESIAL - Arquidiocese de Braga / A Voz do Arcebispo

Homilia na eucaristia de Acção de Graças pelas bodas de prata episcopais. Exmo. e Rev. meu antecessor, Senhor D. Eurico Dias Nogueira, Estimados irmãos no Episcopado, Senhor Deão do Cabido e restantes Capitulares, Caros Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, Diáconos e Seminaristas, Respeitosas autoridades civis, académicas e militares, Irmãos e Irmãs na fé em Cristo Jesus. 1. Uma herança Há 25 anos, durante a procissão de entrada para a minha ordenação Episcopal na Cripta do Sameiro, o coro entoava: “Nós somos as pedras vivas do Templo do Senhor!” Passado este tempo, a pergunta emerge: será que os 50 anos do promissor Concilio Vaticano II já produziram o efeito pastoral desejado nestas pedras vivas, que são a Igreja? O Papa Paulo VI, na homilia de encerramento, reconhecia que este era um projecto “ideal, mas não irreal”[1], daquele Concílio que foi considerado como sendo o maior na participação, o mais rico nas temáticas abordadas e o mais oportuno nas realidades sociais abordadas . E no seu ju…