Respirar, viver não é apenas agarrar e
libertar o ar, mecanicamente: é existir com, é viver em estado de amor. E, do
mesmo modo, aderir ao mistério é entrar no singular, no afetivo. Deus é
cúmplice da afetividade: omnipotente e frágil; impassível e passível;
transcendente e amoroso; sobrenatural e sensível. A mais louca pretensão cristã
não está do lado das afirmações metafísicas: ela é simplesmente a fé na
ressurreição do corpo. O amor é o verdadeiro despertador dos
sentidos. As diversas patologias dos sentidos que anteriormente revisitámos
mostram como, quando o amor está ausente, a nossa vitalidade hiberna. Uma das
crises mais graves da nossa época é a separação entre conhecimento e amor. A
mística dos sentidos, porém, busca aquela ciência que só se obtém amando.