Normalmente, quando nos deslocamos de um ponto para outro
conhecemos o motivo. Mas – temos de o reconhecer – uma viagem assim é
demasiado curta. Uma viagem que se faz conhecendo os seus motivos não é a
viagem.
A verdadeira viagem é aquela que interiormente dura tanto, que já não
sabemos porque é que viemos ou porque é que estamos ali. As perguntas
sobre aquilo que fazemos deixam de interessar.
Estamos ali, ponto final, e chega. Viemos. Demo-nos. Não são o saber
ou a função que definem a vida, mas o próprio ser, a expressão profunda
de si, o puro dom, e nada mais.
Escreve Rainer Maria Rilke naquele mapa indispensável que são as
“Cartas a um jovem poeta”: «O tempo não é uma medida. Um ano não conta.
Dez anos não são nada. Ser pessoa não quer dizer contar, quer dizer
crescer, como a árvore que não instiga a sua seiva, que resiste
confiante».
A beleza mais fecunda é aquela que não se deixa determinar pelas
finalidades provisórias ou pelos utilitarismos de cada ocasião.…