I – Para começar: um sinal dos tempos
1. A interioridade é o novo paradigma religioso, é um facto. (…) Mas, o que é realmente a interioridade? Uma palavra fetiche, claro, isto é, um vocábulo que, por ser muito genérico, todos podem colocar o que quiserem. Mas podemos nós especificar alguma coisa? Não será necessária a concretude para poder avançar?
2. A interioridade é um termo que não pode ser entendido sem o seu contrário, oposto ou complementar: a exterioridade. A exterioridade foi, provavelmente, embora não com essa palavra, o paradigma religioso precedente. «Crer é comprometer-se», dizia uma ou duas gerações anteriores à nossa. Hoje, em contrapartida, nem a crença nem o compromisso são palavras que sejam particularmente cordiais. Preferimos falar de experiência, de solidariedade, de tantas outras coisas. Cada geração tem, decerto, o seu próprio acervo espiritual, e "interioridade", juntamente com "silêncio", "consciência&…
1. A interioridade é o novo paradigma religioso, é um facto. (…) Mas, o que é realmente a interioridade? Uma palavra fetiche, claro, isto é, um vocábulo que, por ser muito genérico, todos podem colocar o que quiserem. Mas podemos nós especificar alguma coisa? Não será necessária a concretude para poder avançar?
2. A interioridade é um termo que não pode ser entendido sem o seu contrário, oposto ou complementar: a exterioridade. A exterioridade foi, provavelmente, embora não com essa palavra, o paradigma religioso precedente. «Crer é comprometer-se», dizia uma ou duas gerações anteriores à nossa. Hoje, em contrapartida, nem a crença nem o compromisso são palavras que sejam particularmente cordiais. Preferimos falar de experiência, de solidariedade, de tantas outras coisas. Cada geração tem, decerto, o seu próprio acervo espiritual, e "interioridade", juntamente com "silêncio", "consciência&…