Mensagem de Natal de D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz
O nascimento de Jesus é um
evento de uma singularidade extraordinária. E é tanto mais importante
quanto mais capaz for de incarnar o Evangelho no quotidiano das pessoas e
das estruturas que compõem a sociedade.
Sobre o Natal, cada um de nós tem muitas histórias para contar:
presentes, árvore, presépio, luzes, pai natal, centros comerciais…
Praças, casas, ruas e montras iluminadas atraem-nos e revelam a sua
importância. Tantas são as atividades que se realizam, as preparações,
as compras, que nos fazem esquecer o Festejado: Jesus Cristo, o
Emanuel, o Deus connosco, que dividiu a história antes e depois dele.
É uma particularíssima história de vocação aquela que hoje
evocamos, nesta Oitava do Natal. Por um momento podemos erguer os olhos
desta página e recriar com a vista a memória da dulcíssima cena da
“Anunciação” que o Beato Angélico pintou no convento florentino de S.
Marcos.
É o braço do abeto a bater na vidraça? E o ponteiro pequeno a caminho da meta! Cala-te, vento velho! É o Natal que passa, A trazer-me da água a infância ressurreta. Da casa onde nasci via-se perto o rio. Tão novos os meus Pais, tão novos no passado! E o Menino nascia a bordo de um navio Que ficava, no cais, à noite iluminado… Ó noite de Natal, que travo a maresia! Depois fui não sei quem que se perdeu na terra. E quanto mais na terra a terra me envolvia E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra. Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me À beira desse cais onde Jesus nascia… Serei dos que afinal, errando em terra firme, Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia? David Mourão-Ferreira
Quando os preparativos todos se avizinharem do fim
segundo o mapa que nós próprios estabelecemos
ou quando nos acharmos pequenos e impreparados,
à espera do que vai chegar?
Impressiona sempre estar cara a cara com quem vive diariamente
numa cela e cumpre pena pela sua falta, especialmente quando se trata de
penas pesadas ou condenações para a vida.
Há momentos únicos na nossa vida, cheios de mística e de colorido, que activam a nossa memória
colectiva e pessoal. Por vezes basta um momento, um gesto ou uma memória para transformar por
completo o rumo da nossa existência. São precisamente as memórias colectivas que criam identidade,
que nos unem como comunidade e que, na verdade, nos tornam mais humanos.