O homem bom do bom tesouro do seu coração extrai o bem. O bom
tesouro do coração: uma definição tão bela, tão plena de esperança,
daquilo que somos no nosso íntimo mistério. Todos temos um tesouro bom
guardado em vasos de argila, ouro fino a distribuir.
Greves em setores basilares da sociedade, alterações climáticas,
doenças…: a atualidade “oferece-nos” amplos motivos de inquietação,
estamos, em graus diferentes e muitas vezes por boas razões, inquietos.
É sempre mais fácil
ficar sentado à sombra de não fazer nada. É bom deixar-se ficar
abandonado à beirinha do calor confortável do comodismo. Da inércia. Da
desmotivação. Do não vale a pena. Do “já fiz o que podia ser feito”.
Deus não se escuta estando no sofá. Compreendeis? Sentado, a
vida cómoda, sem fazer nada, e quero escutar o Senhor. Asseguro-te que
ouvirás qualquer coisa menos o Senhor. O Senhor, com a vida cómoda, no
sofá, não se escuta. Permanecer sentados, na vida (…), cria
interferência com a Palavra de Deus, que é dinâmica.
Não nos chega tudo o que temos. Somos
bons a pedir mais, a querer mais, a sonhar mais. Não nos chega o que já
alcançámos, o que já é nosso e o que construímos. Não nos chegam os
planos já cumpridos, os sonhos já realizados e as preces já ouvidas.
Um dia houve alguém
que decidiu resgatar todos aqueles que viviam no seu mundo. Decidiu que
todos deveriam ter a oportunidade de recomeçar todos os dias. Decidiu
que a sua maior obra seria dar a conhecer a todo o mundo que todos
poderiam começar do zero sempre que se dirigissem a si. Um dia houve alguém que decidiu dar a
sua vida para que a vida dos outros pudesse ter sentido. Arriscou toda a
sua vida na vida dos outros. Dando-se sem medidas. Saindo de si para
que ninguém ficasse isolado como verdadeira ilha. Arriscou toda uma vida
apontando para um reino que acontece no presente de cada um. Um dia houve alguém que decidiu ser
médico de todos os males. Decidiu que a sua cura seria através do seu
amor desmedido e da sua presença constante. Decidiu curar ao seu jeito,
mas mesmo assim foi acusado de não estar junto dos que sofrem. Foi
acusado de heresias. Foi condenado por lhe cobrabrem o que não era
devido. Foi dado como morto quando nunca deixou de soprar o seu divino
re…
O bispo de Aveiro publicou hoje uma nota pastoral sobre o tema da
eutanásia, considerando que a eventual legalização desta prática
constituiria um “retrocesso civilizacional” para Portugal.
Todas as questões fracturantes que a sociedade ocidental tem vindo a
debater, como o aborto, a eutanásia, as barrigas de aluguer ou a
procriação medicamente assistida, devem ser enquadradas nos conceitos de
“dominar” e “cuidar”, bem ao jeito da narrativa da criação no Livro do
Génesis, onde Deus mandou o homem dominar sobre os animais e cuidar da
vida humana.
A nossa sociedade
parece movida em torno do consumismo. Acredita-se na lógica do consumo:
começa-se com a aquisição para depois apenas explorar até à exaustão o que
temos. Esta exaustão pode não ser a do objeto; por vezes somos nós que ficamos
saturados, demasiado rápido.
Um homem morre por nós, a pena que seria nossa,
assume-a ele. Ama-nos de tal forma que nem nós conseguimos compreender
bem o porquê, pois não somos dignos de algo tão grande.
Decidir é preferir entrar por uma porta, o
que implica preterir todas as outras. E há quem não consiga aceitar que a
vida é feita de sacrifícios que exigem deixar para trás coisas boas, em
vista de outras, melhores.
O regime tecnológico que hoje vigora baralha-nos ainda mais,
porque nos transmite a ilusão de que nada falha. A memória de um vulgar
computador embaraça-nos se comparada com a sucessão dos nossos esquecimentos,
lapsos, inexatidões.
A nossa existência é muito mais do que o tempo entre
o início e o fim da vida. A profundidade é essencial. Como se chega lá?
Através da escuta atenta de si mesmo.
Segundo o ACI Digital
(17/11/2017), o Papa Francisco recordou a posição da Igreja em relação à
eutanásia ao assegurar que “é sempre ilícita porque propõe interromper a
vida, procurando a morte”.
O medo apresenta-se como uma
das principais características da pessoa humana, sendo, muitas vezes, um
obstáculo ao seu próprio caminho, isto é, à vivência da sua própria
vida.