«O homem é um ser espiritual que sonha a eternidade, e cria obras eternas,
mas basta a perda da pequena glândula da tiroide para o transformar num
idiota.»
É uma frase algo forte, esta do teólogo e filósofo suíço Emil Brunner,
nascido em 1889 em Zurique e falecido naquela cidade em 1966, extraídas do seu
ensaio “O homem em revolta”.
No entanto, estas palavras adquirem a sua trágica verdade quando, como
várias vezes me aconteceu na minha já longa vida, se têm diante de si pessoas
admiradas pela sua inteligência e capacidade, reduzidas a uma sombra humana,
por causa de uma doença ou da velhice.
Comove-me sempre a exaustão daqueles que antes falavam em público
brilhantemente, escreviam, viajavam de automóvel e avião, e que agora balbuciam
com dificuldade palavras mínimas, assinam um documento quase como se fosse
tarefa impossível, estão bloqueados numa cadeira de rodas.
A meditação sobre a fragilidade da criatura humana, nobre e gloriosa, mas
também frágil como uma cana (para usar a célebre …