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Odiar o erro, amar a pessoa que erra

Existe uma quantidade enorme de comportamentos que nos provocam revolta, acabando por nos fazer atacar as pessoas que os têm. Ora, uma pessoa é mais, muito mais, do que as suas circunstâncias ou as suas escolhas.

É difícil distinguir estes dois planos, é mais simples confundir tudo e disparar em todas as direções, esperando que o erro desapareça. E se a pessoa for atingida não se considera haver problema algum, pois que se trata de um castigo justo, uma espécie de amargo remédio que fará muito bem.
O avaliador pode ser o maior problema da avaliação. Será que estou a ver as coisas como elas são? Será que não estou a considerar apenas a superfície da questão? Estarei eu a olhar o assunto a partir da melhor perspetiva? Quantas vezes a falha que vejo nos outros é apenas uma projeção de uma frustração minha?
O desprezo por alguém é um ataque à dignidade de quem assim se julga capaz de julgar os demais. Quantos dos que se julgam acima dos outros perdoam tudo a si mesmos?
Quem pratica o mal julga que isso é o melhor. Dentro de si, vê-se como estando a fazer o bem.
É essencial que nos amemos uns aos outros, mais ainda quando há enganos a resolver. Afinal, nunca precisamos tanto de amor como quando vivemos no erro.
Os pequenos culpam sempre os outros dos seus erros. Os grandes compreendem que os próprios erros são apenas seus e precisam de quem lhes garanta que não perderam o valor.
Importa aceitar que podemos receber grandes e boas lições das pessoas que julgamos não serem dignas de nos ensinar nada… Os erros têm a virtude de poderem ser mestres de virtude, para quem os comete e para todos os que quiserem aprender com eles, mesmo não sendo seus. Sem nunca se deve aceitar o erro como bom.
Fazer uma pessoa sofrer, atacá-la pelos seus erros ou julgá-la é um erro.
Amar alguém é sempre certo.

Por José Luís Nunes Martins

ECCLESIA

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