O poder do diálogo

Um dos meus maiores amigos, que é uma pessoa com um coração gigante e que vê sempre o lado positivo de todas as situações, contou-me um dia como eram as coisas na sua casa. Ao final do dia ele e os irmãos sentavam-se no chão com a mãe, numa roda, a falar sobre o que tinham feito.

Sim, pode parecer um pouco hippie, mas para mim sempre o imaginei como algo incrível. Ainda hoje, ele e os irmãos já adultos, continuam a fazê-lo à sua maneira, enviam emails duas a três vezes por semana e a mãe escreve-lhes cartas para que leiam quando estão longe dela. É uma família sem pressas, ou melhor, uma família que conseguiu incluir no seu dia-a-dia corrido espaço e tempo para algo importante: diálogo. Ouvir, escutar verdadeiramente e saber que os outros farão o mesmo com eles.
Sempre me assustou aquelas famílias em que as pessoas não falam. Às vezes é uma questão de feitio, outras de hábito de distanciamento, outras até de falta de saber como fazê-lo.
Sempre conversei com os meus pais sobre tudo. Claro que há fases na vida em que não são os nossos pais as pessoas que procuramos, mas depois voltam a ser. Hoje em dia, se algo de bom ou mau (ou até só mais ou menos) acontece ligo sempre para os dois.
Às vezes não é fácil. Há miúdos que simplesmente não gostam de falar, pais que não sabem como abordar. Mas é importante que fique clara essa vontade. E não é só perguntar como correu o dia, é envolver nos assuntos, nas conversas, pedir opinião.
Ouvir sem desvalorizar.
Ajustar as expectativas.
Elogiar.
Conhecer.
Fazer uso daquela coisa que faz falta a tanta gente: o sentido de humor.
Brincar.
Rir.
Amar.
Conversar sobre tudo e sobre nada.
Porque às vezes até isso faz falta.
Mais tarde ou mais cedo haverá frutos.
Porque só crescerá a acreditar que a sua palavra tem valor quem tiver tido a sua palavra valorizada.
E assim fará com os outros.
E nos momentos mais sombrios procurará expressar-se.
Se não pelas palavras, de outras formas – porque felizmente temos vários modos de comunicar.
Para que nenhum pai fique completamente às escuras sobre quem são os seus filhos, para que nenhum filho cresça a acreditar que os seus pais não o sabem escutar, façamos um esforço.
Conversemos.

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