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Quem se levantou contra os sinais de guerra, a não ser o papa?


A sedução do domínio que chega à Igreja, e que começou com os próprios apóstolos, é uma das marcas da mais recente crónica semanal que o Fr. Bento Domingues assina no "Público".
«Jesus conhecia os desejos, os modelos, os grupos e os movimentos messiânicos que agitavam o povo a que pertencia e que, sem um poder absoluto, era impossível realizar os seus projetos», escreve o religioso.

Ao mesmo tempo, Ele «percebeu também que, por esse caminho, tinha de renunciar à alma da sua alma: à experiência do Deus do puro amor e ao projeto de passar os marginalizados dos diversos poderes para o coração da sociedade».
Às tentações de realizar «acontecimentos espetaculares, transformações económicas, políticas e religiosas radicais», com as quais «teria o mundo a seus pés», Jesus disse não, «mas levou muito tempo a compreender a prontidão dos discípulos em abandonar tudo para o seguirem».
«O Evangelho segundo S. Marcos mostrou, com insistência, que Jesus os chamou para uma missão e o que eles desejavam era que o Nazareno tomasse mesmo o Poder e o resto era só conversa», acentua.
Para o Fr. Bento Domingues, «a tentação permanente das religiões é a criação de deuses» à imagem dos «desejos distorcidos» do ser humano «para legitimar sociedades enlouquecidas pelas lutas da dominação económica, política e religiosa».
Uma pulsão que se infiltra na Igreja católica, pelo que «é preciso conseguir libertar o Papa do sistema do qual há queixas há vários séculos, sem resultado».
«Ao fim desta Quaresma, da Semana Santa e da Oitava da Páscoa, há um sabor amargo: tirando o Papa, quem, no mundo católico, nas dioceses, nas paróquias, nos conventos, se levantou contra os sinais de guerra que marcam o mapa do mundo?», questiona o religioso.
Edição: SNPC
Publicado em 25.04.2017

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