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Poemas de Natal

Natal
Que nos trazes a não ser 
lágrimas cada vez mais, 
natal eterno a nascer
 
de outros natais...
Ligeira esperança que toca
os nossos olhos molhados
e o sangue da nossa boca,
amordaçados...

Ah bruxuleante luz
acenando ao longe em vão
e que a dor nos reproduz
em ilusão...
Ternura dum breve instante
que o próprio instante desterra,
morta no facto constante
de tanta guerra...
© António Salvado
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NATAL
Gostava de te fazer um poema de Natal,
se é que ainda há Natal.
As crianças, sem tempo para sonhar, são cada vez menos crianças,
e os homens, sem tempo para amar, querem distâncias que não são de sonho.
Mas dentro de nós,
de ti, de mim, de todos nós,
há um Natal adormecido no fundo do peito,
um Natal distante, feito de sonho lindo,
de cânticos, de passos furtivos na madrugada,
de árvores com luzes, cheias de prendas,
de sapatinhos pequeninos à volta da lareira.
É esse Natal que eu gostaria de te oferecer
vivo, neste poema.
Certo que, enquanto nos nossos olhos houver uma lágrima
ao ver uma criança correr feliz para um presépio,
haverá sempre Natal.
©José de Almeida
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LISTA DE NATAL
Quero na lua viver
Segurar a vida numa colher
Contemplar à noite as estrelas
E poder eu brilhar como elas
Quero cantar o amor numa canção
Ter do céu uma visão
Fazer com o mundo (e com todos) uma unidade
Conhecer a maravilha que tem na realidade
Desejar o fim do sofrimento
Para que o céu não seja cinzento
E saber que morreria
Numa passagem que sonharia.
©Ss C. Scott
OS PAIS
Tu nasceste foi Natal
No teu berço pequenino.
É Natal em todo o mundo
Sempre que nasce um menino
.
Nós nascemos foi Natal
Os nossos pais é que o fizeram
Do amor que os dois viveram
Veio a vida que nos deram
.
Hoje é Natal
E amanhã
Vai ser Natal outra vez
Porque afinal
Quando é Natal
A gente nasce outra vez.
.
Os teus pais são os operários
Do teu corpo pequenino
Amanhã serás operário
Do Natal de outro menino
.
Não nos mintam nunca mais
A mentira é uma vergonha
Fomos feitos pelos pais
Não viemos na cegonha!
©Ary dos Santos e Joaquim Pessoa
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NATAL
Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!
©Fernando Pessoa
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