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Aborto como eugenia

Num Ocidente que muda o trajecto de uma estrada só para não ferir o habitat de um rato, num Ocidente obcecado com focas bebé, num Ocidente que endeusa as baleias do Árctico islandês, como é que se desvaloriza assim a vida de seres humanos?

Chamemos-lhe Joana. Tem uma filha com trissomia 21. Quando lhe dizem que demonstrou coragem ou grandeza, Joana abana a cabeça. Nunca lhe passou pela cabeça matar na própria barriga um bebé só porque ele era imperfeito na genética. Desde quando é que os seres imperfeitos não têm direito à vida? Desde quando é que aqueles que beliscam a estética não têm direito à existência? E como é que a genética pode ser o centro da nossa moral colectiva? Não é a Joana que é grande ou corajosa, a sociedade é que entrou numa caverna. Caverna, essa, que muda o nome às coisas. “Aborto” é “IGV”.
“Eutanásia” é “direito à morte”. “Bebé” na barriga é “feto” ou “amontoado de células”, termos burocráticos que procuram anular a carga odiosa do aborto. E, claro, “eugenia” já não é “eugenia”. Convém sublinhar a palavra (“eugenia”), porque as nossas sociedades fazem eugenia em massa. 90% das inglesas que detectam um bebé com síndrome de Down fazem aborto. Na fofinha Islândia não há pessoas com trissomia. Há uma taxa de 100% de aborto nestes casos, e esta devastação é apresentada como um grande avanço médico. É como se estivéssemos a falar de uma campanha contra a tuberculose ou sida. É como se o bebé da Joana fosse em si mesmo uma doença erradicável. Isto não é “progresso”, é uma barbárie medicamente assistida.
Esta agenda eugenística é tão bárbara que chega a ser cómica. Ainda há dias a lei francesa proibiu a divulgação pública de um vídeo de uma associação de pais como Joana. O vídeo mostra a alegria de crianças com trissomia 21. O vídeo foi proibido. Alegou-se que podia ferir a susceptibilidade das mulheres que abortaram. Confesso que isto me dá vontade de rir. Dante Alighieri ensinou-nos que o grotesco tem sempre um lado cómico. Esta proibição é tão grotesca, tão absurda, que até parece piada. A piadinha porém é agora a realidade. É uma piada que não ataca apenas o direito à vida, ataca o próprio direito à liberdade de expressão de pessoas como a Joana. Mas repare-se que a proibição revela acima de tudo a má consciência dos defensores do aborto, dos defensores de campanhas médicas contra crianças deficientes, das próprias mulheres que abortam. Revela embaraço, culpa e remorsos. Serão estes remorsos que acabarão por destruir o edifício intelectual e moral deste cultura eugenística.

E essa destruição está para breve. Chegámos ao fim da linha. Este quadro grotesco é indefensável. Como é que chegámos ao ponto em que se consideram “estúpidas” as pessoas como Joana? Como é que chegámos ao ponto em que uma mensagem comovente de crianças com trissomia é vista como “ofensiva”? Num Ocidente que muda o trajecto de uma estrada só para não ferir o habitat de um rato, num Ocidente obcecado com focas bebé, num Ocidente que endeusa as baleias do Árctico islandês, como é que se desvaloriza assim a vida de seres humanos? Daqui a vinte e cinco anos, teremos sérias dificuldades para explicar aos nossos netos esta comédia grotesca.

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