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Férias em Família


Encontramo-nos num tempo em que o tema Férias é quase inevitável.
Desejamos “boas férias” aos amigos e até aos mais ou menos  conhecidos.
Férias tempo de pausa, tempo de alterar rotinas, tempo de descanso merecido, tempo de família e de partilha, onde diferentes gerações se cruzam, tempo para refletir e encontrar pontos comuns , os sonhos no olhar de cada um, as histórias que se vão contando, as experiências que se vão transmitindo.
Férias tempo de paragem no turbilhão do dia a dia .
Quantas vezes vivemos encurralados no nosso pequeno Mundo, sem lugar para os outros, os outros que são os nossos , que somos nós mesmos.
Féria tempo de recarregar energias para um novo ano de trabalho, que rapidamente se avizinha. O tempo passa demasiadamente depressa, quando fazemos algo de que gostamos e nos dá prazer.

Assim falando, associamos Férias a um tempo BOM, rico de experiências quer ao nível pessoal, social, quer ao nível da Família. No entanto não será de todo descabido referir, que nem sempre assim o é. Muitas vezes Férias é sinónimo de ociosidade, excessos e até de liberdade despida de qualquer responsabilidade.
Falar em Férias não implica necessariamente saír de casa, ir para um hotel, viajar, ir á praia, ir para um qualquer país distante. Podemos fazer Férias na Paz e tranquilidade da nossa casa, sem o amontoado de pessoas em tudo que é canto, sem o stress das horas /e os atropelos dos aeroportos.
Férias deve ser um TEMPO SEM TEMPO / TEMPO SEM RELÒGIO

PRECISAMOS DE TEMPO   SEM   TEMPO
MAS, abordando o tema de forma mais pragmática e concreta, falemos então da relação biunívoca Férias - Família. Fazendo uma dissertação reflexiva acerca desta temática, deparei-me com duas preposições, que pareciam encaminhar o meu pensar em dois sentidos, apesar de ambos convergentes. Férias em Família ou Férias com Família. Optei pela primeira, pois pressupõe uma dinâmica mais interativa e participativa. Remeto assim a minha reflexão para a vertente. Férias EM Família
Tendo como premissas de base, e como se pode ler no ponto 274 da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Letitiae, que nos fala sobre o Amor na Família, passo a citar: “A Família é a primeira escola de valores Humanos onde se aprende o bom uso da liberdade…”  e mais adiante refere “ A tarefa Educativa deve levar a sentir o mundo e a sociedade como «ambiente familiar» ; é uma educação para saber «habitar», mais além dos limites da própria casa”.
O Tempo de Férias é um dos espaços ideais para trabalhar estes pressupostos.
As Férias devem assim ser iniciadas por um PENSAR EM FAMILIA:
Cada Família é uma Família com uma realidade que lhe é própria. Não há Famílias iguais, não há Famílias perfeitas, sem que umas sejam melhores que outras. São simplesmente diferentes.
Este Pensar e Planear as Férias em Família é um momento crucial para que as mesmas não nos façam chegar ao seu termo, ainda mais cansados, exaustos e desgastados do que quando as iniciamos. Esta é, realmente uma realidade muito recorrente.
Neste exercício de reflexão, difícil será para mim, não deixar de me influenciar e rever naquele que tem sido o percurso da minha Família no âmbito desta temática. Não que a minha família seja exemplo, mas apenas porque reflete o MEU o NOSSO PENSAR EM FAMÌLIA.
Antes de mais, convém salientar que este é um tempo favorável para que o casal possa fazer uma avaliação, reflexão, introspeção da sua vida como casal. O mesmo acontece para com os filhos. Tempo de fazer balanço, tempo de fazer projetos.
Numa Família, os filhos, e a sua faixa etária, devem ser sempre um fator determinante na decisão a tomar. As crianças quando mais pequeninas exigem cuidados e horários mais rígidos. Quando mais crescidos porque não tentar aliar um tempo de lazer com um pouco de cultura? As férias são por excelência um tempo de qualidade entre pais e filhos. Porque não sensibilizar as crianças para o sentido do belo, as paisagens naturais, a nossa história, os nossos monumentos, o gosto pela nossa gastronomia?
Quando jovens, os filhos precisam de um tempo de crescimento individual,/de socialização e integração no grupo, pois faz parte do seu percurso de amadurecimento como pessoa, para que se tornem em adultos responsáveis com capacidade para tomar decisões, opções e assumir responsabilidades. A vida é um tomar constante de opções. Todos queremos preparar os filhos para a VIDA: Os campos de férias, o voluntariado um curso de Verão , são uma ótima experiência de vida e apenas alguns exemplos. Mas para que tal possa acontecer, é necessário que a Família se organize no tempo, por vezes curto, para que haja ainda um tempo, a possibilidade de um espaço, para Férias em Família. O Tempo de férias deve ser um tempo de convívio e de bem-estar, que faça os jovens gostar de estar com os seus, que promova e fortaleça relações, para que quando já adultos e no mercado de trabalho, continuem a privilegiar um tempo de férias junto da família, pelas boas recordações que mantêm. Um dia, também eles quererão e gostarão de repetir essa experiência, com os seus descendentes. Convém não esquecer, que o nosso estilo de vida vai estar na base da transmissão de valores para os nossos filhos e para os nossos netos.

 FÉRIAS EM FAMÍLIA é também um tempo propício para um convívio com a família mais alargada, tios/primos e Avós encontro inter/geracional onde se cruza a Aventura e a Sabedoria a Primavera e o Outono da vida. Encontro de quem tem muito para Dar e quem tem muito para receber. Seguindo o percurso natural da vida, somos neste tempo de Férias, confrontados com os nossos idosos. Os nossos Pais os nossos Avós são as nossas raízes, aqueles que ao longo da sua vida abdicaram de tantas coisas para nos dar, que mesmo antes de nós, percorreram o nosso próprio caminho, lutaram a nossa mesma batalha, para nos darem uma vida melhor e mais digna.   No seio da Família e neste tempo de férias é imperioso que fomentemos o sentido da gratidão /do apreço, da hospitalidade que faça o idoso sentir-se amado e acarinhado, nunca abandonado, desprezado e muito menos descartado.
A Família mais ou menos alargada, tem que se reorganizar e agilizar no sentido de promover um equilíbrio nas interações de forma a dar todo  o acompanhamento necessário. Os descendentes podem sempre procurar gozar férias em tempos separados, os netos com capacidade para tal, deverão e poderão também ser chamados a esta cooperação. É também este testemunho que devemos dar aos nossos filhos. Promover o encontro, o abraço o escutar as histórias, o prestar atenção entre avós e netos.
Por coincidência que pareça, escrevi parte deste texto, junto ao leito da minha mãe, que na sua velhice se encontra em convalescença de uma mazela própria da idade. Tentei partilhar, refletir com ela esta temática da velhice e da relação filhos e pais. Com a sua mente já enfraquecida respondeu-me: “ Os filhos devem estimá-los” e após uma pausa fruto do cansaço da idade, acrescentou: Os filhos devem ter Amor, Carinho, Respeito, fazer Companhia, ter Compreensão e muita  Paciência, para com os seus Pais.
Para quê mais palavras…..Não foi isso que fizeram connosco!…Este é um testemunho na 1ª Pessoa.

Hoje são os nossos pais! Amanhã seremos nós.
Uma interrogação surge no seio desta Reflexão .
O que distingue uma Família Cristã em Férias das que o não são?
Os pontos abordados poderão por si só ser já uma resposta.
Educar é um ato contínuo, não tem férias. Mais que mil palavras, para com os nossos filhos, valem os nossos atos, os nossos gestos as nossas atitudes, perante a vida, perante o outro.
Deus nunca nos abandona, porque O haveríamos  de abandonar, esquecer, logo quando temos mais tempo livre?
Reconheço que nem sempre é fácil, principalmente quando os filhos começam a ser jovens, e a prolongar a noite….  A trocar o dia pela noite…e vice versa….
O efeito grupo nem sempre ajuda. Ninguém quer saber se hoje é domingo!
Agradecer e dar graças pelo dom da vida e tudo de belo e bom que ela nos proporciona , para muitos não é sequer motivo de reflexão.
 No entanto, a incoerência de alguns não pode, de todo, justificar a minha/nossa incoerência.
 A vida tem que ser, apesar de avanços e recuos, uma caminhada com coerência aos nossos princípios e valores, sem nunca esquecer “ Que nem só de Pão vive o Homem….”
À Família e a nós Pais, cumpre-nos a tarefa de “Semear” sempre e manter a esperança de que a nossa semente venha a dar fruto.
Pois como diz o poeta ” A Esperança é o Sonho do Homem acordado”.
Façamos das FÉRIAS EM FAMÍLIA UM TEMPO DE QUALIDADE E DE BEM-ESTAR
 TERMINO COM VOTOS DE UMAS BOAS FÈRIAS PARA TODOS.

Por Teresa Carneiro
Pastoral Familiar de Santo Adrião de Vila Nova de Famalicão

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