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Papa recorda lição de idosa portuguesa, elogia a esperança e lamenta «rigidez» na Igreja

O papa evocou hoje, no Vaticano, a lição espiritual que recebeu de uma idosa portuguesa, elogiou quem mantém a esperança entre as dificuldades e criticou a «rigidez» e o «legalismo» dos fiéis que se «fecham» em si mesmos. 
Na homilia da missa a que presidiu, Francisco lembrou o dia de 1992 em que estava a confessar há várias horas, em Buenos Aires, quando chegou uma idosa de 80 anos «com os olhos que viam mais, olhos cheios de esperança», relata a Rádio Vaticano. 
«“Avó, vem confessar-se?” – porque eu estava a levantar-me. “Sim”. “Mas a senhora não tem pecados”. E ela disse-me: “Padre, todos temos”. “Mas o Senhor não a perdoa?” “Deus perdoa tudo”, disse-me. Deus perdoa tudo. “E como sabe?”, perguntei. “Porque se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria”», recordou o papa. 
«Recordemos a lição que esta idosa de 80 anos – era portuguesa – me deu: Deus perdoa tudo, só espera que tu te aproximes», sublinhou Francisco, depois de ter afirmado que a esperança faz «ver a beleza de Deus». 
Excertos da homilia: 
«A esperança é esta virtude cristã que nós temos como um grande dom do Senhor e que nos faz ver longe, para além dos problemas, as dores, as dificuldades, para além dos nossos pecados», salientou. 
«Quando eu me encontro com uma pessoa que tem esta virtude da esperança e está num mau momento da sua vida – seja uma doença, seja uma preocupação por um filho ou uma filha ou alguém da família, seja qualquer coisa –, mas tem esta virtude, no meio da dor tem o olhar penetrante, tem a liberdade de ver além, sempre além.» 
«Esta é a esperança. Esta é a profecia que hoje a Igreja nos dá: são precisas mulheres e homens de esperança, mesmo no meio dos problemas. A esperança abre horizontes, a esperança é livre, não é escrava, encontra sempre maneira de remediar uma situação.» 
«Quão bela é a liberdade, a magnanimidade, a esperança de um homem e uma mulher de Igreja. Ao contrário, quão feio e quanto mal faz a rigidez de uma mulher ou de um homem de Igreja, a rigidez clerical, que não tem esperança.» 
«Neste Ano da Misericórdia, há estes dois caminhos: quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai: Deus perdoa sempre, tudo; além do deserto há o abraço do Pai, o perdão.» 
«E também há aqueles que se refugiam na própria escravidão, na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus. Estes eram doutores [referência ao Evangelho proclamado nas missas de hoje], tinham estudado, mas a sua ciência não os salvou.» 

Rui Jorge Martins 
Publicado em 14.12.2015

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