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Carta aberta aos que vivem nas periferias da família… IX Jornada da Família

Carta aberta

Aos divorciados, aos recasados, aos que vivem em união de facto, aos que excluem a própria ideia de casamento... a ti que és pai ou mãe solteiro... aos que sofrem e vivem a dor da rejeição, da incompreensão, da desilusão... às famílias e a todos a quem o Evangelho da alegria ainda não chegou...*

Desculpem a ousadia, mas desejamos entrar em vossa casa, na vossa vida... Como irmãos, pedimo-vos licença para o fazer... Permitam-nos que, cheios de respeito, batamos delicadamente à porta do vosso imenso coração para nele entrar...
Apenas nos queremos sentar convosco e ouvir-vos, sentir-vos, atender-vos e fazer nossas as vossas alegrias e esperanças, dores e angústias... Como o Papa Francisco, quando chegou a Brasil, dizemos: Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: «A paz de Cristo esteja convosco!»
Muitos de vós sois crentes, pertencentes à Igreja. Contudo, por incompreensão e falta de acolhimento mútuo, sentis o peso da exclusão da grande comunidade dos discípulos do Senhor. O vosso desencanto, desapontamento e decepção são um grito que nos acorda todos os dias. Queríamos portanto encontrarmo-nos uns com os outros, e, com todos, abrir um diálogo para partilhar as alegrias e os cansaços do nosso caminho comum; para escutar um pouco do vosso quotidiano; para nos deixarmos interpelar pelas vossas interrogações; para vos confiarmos os sentimentos e os desejos que sentimos no nosso coração diante de cada um de vós.
Antes de mais dizemo-vos que não somos estranhos. Vós sois irmãs e irmãos nossos, muito amados e desejados. E esta nossa ousadia de entrar na vossa vida reveste-se de uma fraternidade comunicadora de vida, de um sincero afecto e da consciência que em vós existem perguntas e sofrimentos que muitas vezes vos parecem negligenciados ou ignorados pela Igreja.
Queremos dizer-vos que estamos atentos e comprometidos com a vossa angústia humana.
É certo que nós, muitas vezes e de muitos modos, não vos compreendemos e acolhemos. Outras vezes tivemos palavras que tinham sabor a julgamento sem misericórdia ou a condenação sem apelo. Por isso, fostes alimentando a ideia de que fostes abandonados e excluídos...
Por isso, colocando-nos ao vosso lado, o que vos queremos manifestar é isto: “A Igreja não vos esqueceu! Nem porventura vos julga, exclui ou vos considera indignos. A Igreja está próxima de vós. A vossa ferida também é nossa!”
Esta é apenas uma visita que abre à confidência. Esta é uma visita às tuas tribulações que se abre à partilha. Entramos assim em tua casa com uma palavra. Aquela palavra silenciosa que deseja apenas exprimir o quanto queríamos ser um sinal do amor de Deus que te acompanha, que te abençoa, que te envia o Consolador... No fundo, dizer-te que a tua tribulação está habitada pela graça e pela bondade e assegurar bem alto com o Salmista: «O Senhor está próximo daqueles quem têm o coração ferido» (Sl 18, 2) e «Mas Tu vês a angústia e a dor» (Sl 10, 14).

Pelas Equipas de Pastoral Familiar de São Martinho de Brufe e Santo Adrião, VNF

*Cf. Dionigi Tettamanzi, Cardeal Arcebispo de Milão: “Carta aos casais em situação de separação, divórcio e nova união” em 2008; e “Carta às famílias em dificuldade”, em 2009. Tradução do departamento Arquidiocesano da Pastoral Familiar de Braga.

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